3 de junho de 2019 • 18:08

Erro de português




Pedro Álvares Cabral chegou de navio e gritou: terra à vista! Foi aí que começaram os problemas. Uma das primeiras palavras ditas por aqui tinha crase e ainda hoje sofremos graves consequências.

 O emprego da vírgula é uma incógnita que até mesmo Drummond de Andrade, artista nato, devia ter lá suas incertezas de como usar a dita cuja.

Era lindo ler o versos de Lispector na escola. Mas na hora de completar as lacunas vazias de seus textos com o trema, era horrível. 

Custava ter vindo um inglês colonizar o país que tem palmeiras onde canta o sabiá? O porquê, por exemplo, só teria 3 letras, seria escrito sempre junto, sem acento e, de quebra, a gente podia herdar cabelos loiros e olhos azuis.

Ou um oriental, do outro lado do mundo. Pense comigo: antes adotar peixe cru como comida típica do que ser obrigado a aprender o futuro do pretérito do indicativo.

Opa! Melhor parar por aqui, estou cometendo um equívoco tão gigantesco que até Castro Alves deve estar se revirando em seu túmulo.

O bonito do nosso povo é a miscigenação. A cultura é rica, assim como a rima, as assonâncias, aliterações e onomatopeias que adoram deslizar entre meus dedos.

Apesar das muitas dúvidas presentes, nas mais diversas frases, nossa língua é linda. E isso nem o melhor argumento da gramática é capaz de contrariar.

O tal do português é maneiro demais e cheio de estilo, mesmo quando preciso consultar um dicionário pra entender o significado das palavras que fogem ao meu vocabulário.

Por fim, agradeço a Pero Vaz de Caminha, que marcou na história, em um papel antigo, as primeiras memórias da minha terra.

Obrigado por trazer na bagagem um idioma mágico: eu, que até agora era só um escritor, após colocar um ponto final neste texto, terei virado cronista.